Carne com Ameijoas

Carne à Alentejana

Uma espécie de carne de porco à alentejana que a malta adora. Não é novidade mas é bom!

Temperei a carne de véspera com cominhos, massa de pimentão caseira, alho, louro e vinho branco. Marinou a noite no frigorífico.

Fritei em lume forte numa mistura de banha de porco preto e azeite, tendo o cuidado de escorrer ao máximo a marinada. Depois de frita, juntei algum do líquido da marinada e deixei apurar. Adicionei as ameijoas que deixei abrir. Perfumei com sumo de limão e coentros e salsa.

Empratei com rodelas de limão e pickles picados e batatas fritas aos cubos.

Acompanhei com uma novidade da feira de vinhos do Modelo, não muito caro e agradável. O Taká Tinto 2005, Regional Alentejano do enólogo Paulo Laureano, com as castas Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet revelou-se um vinho com aromas complexos com notas de frutos negros em compota, mesclado com percepções de especiarias. Estrutura equilibrada e elegante e com boa persistência. Um vinho com uma boa relação qualidade/preço.

Bom apetite. Experimente e comente!

 

Taká

 

Lulinhas Perfumadas

 

Lulinhas Perfumadas

Este é um dos pratos favoritos cá em casa.

Ingredientes:

– 1 kg de lulas
– 1 cebola e dois dentes de alhos
– polpa de tomate
– natas para culinária
– gengibre em pó, cardamomo, açafrão e caril
– vinho branco e azeite

Na wok faço um ligeiro refogado com a cebola e os alhos. Refresco com bom vinho branco e junto o pimento em tiras e as lulas. Rego com polpa de tomate, não muita para a acidez do tomate não se sobrepor às especiarias. Tapo e deixo cozinhar lentamente.

Num almofariz esmago as sementes de 5 vagens de cardamomo, junto o caril, o açafrão e o gengibre em pó.

Depois de cozidas as lulas, misturo as especiarias. Acreditem que o perfume que fica na casa é meia refeição! Junto por fim as natas e deixo apurar os sabores.

Sirvo com um arroz basmatti cozido com casca de limão e manteiga. Penso que em vez das natas podem usar leite de côco, mas eu prefiro as natas pois deixam as especiarias “brilhar”.

Acompanhe com um Quinta da Murta – Vinho Branco Reserva 2005  DOC .

Bom apetite. Experimente e comente.

Como é que eu vou dar soja aos filhotes e à Maria sem ser maltratado?

Penne com Fibras

Há uns tempos seguia eu num corredor duma grande superfície quando fui abordado por uma simpática promotora que pretendia dar-me a conhecer um novo produto, soja natural congelada.

Conhecedor das propriedades benéficas da soja, embora não embarque em fundamentalismos do tipo leite de, iogurte de, bife de, e pudim de soja, acedi à simpática senhora e lá provei a bendita soja. Nada de especial confesso. Cozida simples é como comer uma mão cheia de nada.É uma ervilha com formato de feijão e com a textura da fava sem a pele.

Pensei, todavia, que aquela aparente falta de sabor, era o ideal para utilizar numa invenção qualquer. É como uma tela em branco.

Pensei estufar ou guisar, para absorver melhor o sabor dos acompanhamentos. Em saladas, porque não?

Fez-se luz, finalmente! Linguiça de porco preto comprada no mercado quinzenal, 1 lata de salsicha. Penne rigate, 1 lata pequena de feijão encarnado. Ervas? Queijo?

A gordura nobre e doce da linguiça a insinuar-se na soja, a perfumar o feijão, a olear a massa? Claro que sim!

Peguei na wok, esmaguei dois dentes de alho. Juntei a linguiça cortada e puxei por ela em lume forte para libertar a gordura. Refresquei com moscatel para não deixar queimar e para reunir os aromas. Juntei as salsichas em pedaços e 1/3 da embalagem de soja. Salteei a mistura e reservei.

À parte cozi a massa em água fervente com casca de limão, uma pitada de açafrão, um fio de azeite e sal. Quando ficou “al dente”, juntei a massa e a lata de feijão ao preparado. Envolvi. Rematei com pimenta em grão e refresquei com salsa e hortelã picados.

No prato servi com umas lâminas de queijo manchego por cima.

Eles comeram e gostaram! Não sem antes dizerem: -O que é isto? Não gosto disto!

Acompanhei com um Chardonnay da Quinta da Alorna de 2006. Soberbo!

Ficou óptimo. Experimente e comente!

Sopa de cenoura e coentros, com tomate e ovos de codorniz

Sopa de Cenoura com Coentros, Tomate e Ovos de Codorniz

Inspirado no Creme de Cenouras e Coentros da Elvira decidi fazer uma sopita diferente, que me faz lembrar as maravilhosas sopas de tomate alentejanas da minha avó paterna.

Criei um refogado ligeiro com cebola e alho onde puxei o sabor das cenouras, batatas e courgettes (tenho vindo a substituir as batatas por courgettes pois o creme fica mais aveludado.) Juntei a água e deixei cozer durante 20 mns.

Num tacho à parte coloquei água a ferver que aromatizei com hortelã, sal e pimenta em grão e umas gotas de vinagre, para escalfar os ovos de codorniz. Como tenho muito pouco jeito de mãos, vi-me e desejei-me para abrir os ovos de modo a ficarem inteiros, mas lá me safei! A propósito se alguém tiver uma técnica específica agradeço desde já.

No fim da cozedura, fiz o puré, juntei-lhe azeite e os coentros frescos. Empratei com os ovos escalfados e um tomate pelado com umas pedrinhas de sal.

Fica óptimo pois o sabor do tomate vai-se insinuando na sopa, o ácido com o creme, o quente e o frio!

Espero que goste! Experimente e comente!

KTM – Kiwi, Tomate e Mozzarella

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Inspirado no meu filhote que do alto da sua sapiência me disse que um kiwi equivale a 3 laranjas em termos de vitamina C, decidi recriar o tradicional mozarella com tomate.

Como pai, passo muito tempo a inventar maneiras de fazer os meus filhotes comerem frutas e legumes de uma maneira mais apelativa e sem os tradicionais “não gosto disso”!.

Aqui vai

Ingredientes:

2 tomates chucha, 2 kiwis, 1 queijo mozarella, azeite, orégãos, folhas de manjericão fresco, sal e pimenta

Corta-se o tomate ás fatias e coloca-se no prato, tempera-se com umas pedrinhas de sal e umas folhas de orégãos. Fatia-se o kiwi e o queijo e coloca-se por cima do tomate nesta ordem. Previamente, num copo misturador liquidificamos as folhas de manjericão e o azeite, que utilizaremos para temperar a salada. Salpicamos com um pouco de sal e pimenta moíida na altura e já está.

Acompanhe com um Branco Chardonnay da Quinta da Alorna.

Experimente e comente!

A Festa da Adiafa

Hoje o meu bom amigo Pedro Melro, emérito e orgulhoso produtor de vinho de Alcanhões, convidou-me para a Adiafa. Para quem não sabe, a Adiafa significa a festa que se oferece aos trabalhadores no último dia das vindimas. De acordo com o dicionário a palavra vem do árabe addyafa e significa banquete.

Embora esteja um pouco desvirtuada, esta tradição fez parte do meu crescimento e habituei-me a ouvir falar dela e algumas vezes a, orgulhosamente, participar. Digo orgulhosamente, porque nessas alturas fazia também parte do rancho da vindima, quase sempre por amizade e camaradagem.

Recordo com saudade, o convívio com aquelas gentes simples, o cheiro da terra e das uvas, o suor nos rostos, as cantigas e os cestos pesados que me faziam sentir um homem naquele reino de Homens e Mulheres.

Hoje senti-me quase um intruso, como se não merecesse comer e beber como os outros! O pão caseiro não me soube tão bem. A lebre deliciosa e a sopa de pedra. Os tomates apanhados da terra, o vinho maravilhoso. As azeitonas. O vinho. O vinho!

Para o ano duas resoluções ficaram. Vou primeiro á vindima e não repito a estupidez de não levar a máquina fotográfica!

(H)á Pato com Arroz

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Comprem um pato médio (eu prefiro fresco mas há uns congelados inteiros nas grandes superfícies que não são maus). Partir o pato em pedaços e retirar o excesso de gordura.

Temperar de sal e pimenta moída e colocar numa panela de pressão com uma cebola espetada com 6 cravinhos, um pedaço fino de casca de laranja, louro e meio chouriço ao qual se retirou a pele. Regar com azeite e cobrir com vinho branco e água. Deixar cozer ap. 30 mns a partir do momento em que a pressão começa a sair.

Finda a cozedura, retirar o pato e o chouriço. Desfiar o pato e cortar o chouriço ás rodelas. Aproveitar 3 chávenas do caldo da cozedura e juntar uma chávena e meia de arroz. Não deixar cozer o arroz completamente e retirar do lume antes de secar totalmente.

Num pirex colocar uma camada de arroz, uma camada de pato desfiado regado com um pouco de sumo de laranja, e outra camada de arroz. (O n.º de camadas pode variar mas a última deverá sempre ser de arroz).

Decorar com fatias de bacon e o chouriço e levar ao forno a tostar e acabar de cozer o arroz. Retirar do forno e guarnecer com meias luas de laranja. Acompanhar com uma boa salada ou legumes verdes.

Regar com um tinto Paço dos Falcões 2004.

Bom apetite! Experimente e comente!