Bacalhau com três feijões, sêmola de milho e alecrim

Se há 1001 uma maneiras de fazer bacalhau esta será mais uma. Tinha uns bons lombos de bacalhau, ideais para em generosas lascas, banhar no bom azeite novo. Uma cebolada rica, o feijão, o perfume do alecrim. O milho crocante. O vinho, sempre o vinho!

Usei:

– 3 postas do lombo de bacalhau, 1 cebola grande, 1 cebola roxa, um alho francês, 2 dentes de alho, azeite, vinho branco, banha de porco preto e louro;

–  feijão encarnado, manteiga e branco ( 1 lata pequena de cada), sêmola de milho, alecrim e pimenta.

Fiz um refogado ligeiro com as cebolas, o alho francês, os dentes de alho e louro. Refresquei com bom vinho branco e deixei cozinhar até as cebolas ficarem no ponto.

Cozi o bacalhau da maneira habitual, de modo a conseguir umas lascas suculentas e generosas que adicionei à cebolada, envolvi e deixei apurar uns minutos.

Escorri as latas de feijão e passei por água fria. Misturei as três qualidades e coloquei num Pyrex de ir ao forno por cima da camada de cebolada e bacalhau. Reguei abundantemente com azeite. Misturei a sêmola de milho com as folhas de alecrim e pimenta moída. Cobri o feijão com esta mistura.

Levei ao forno quente durante uns minutos para o azeite ferver e para torrar a cobertura crocante de milho e alecrim.

Ficou assim no prato. A cobertura de milho e alecrim resultou em pleno, emprestando novas texturas e aromas ao conjunto. O maravilhoso azeite embebeu os feijões e o bacalhau. Vários aromas, várias texturas e cores.

Para acompanhar uma boa salada e um vinho muito bom. O Quinta do Gradil de 2003 numa garrafa com excelente apresentação.

Castas: Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Syrah – Estágio: 8 meses carvalho novo francês – 14% Vol.

Um vinho do qual é fácil gostar com uma tonalidade ruby escuro e um nariz a mostrar um aroma de boa intensidade. Final médio/longo. Uma aposta ideal para acompanhar o prato.

Bom apetite! Experimente e comente!

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Salmonetes à “Dona Anna”, batatas assadas e ervilha torta

Um dos blogs de culinária que visito regularmente é o Cozinha com a Anna da simpática e talentosa Anna. Desde quarta-feira que não me saíam da cabeça estes deliciosos salmonetes que a Anna propôs no seu blog.

Acontece-me, por vezes, ficar impressionado com algumas receitas e só sossego quando as faço e provo. Esta cativou-me pela sua simplicidade e pelo facto do salmonete ser um dos meus peixes preferidos.

Por sorte, encontrei hoje à venda uns bonitos salmonetes e não resisti. Segui a receita da Anna e adicionei ao tempero do peixe, a raspa de uma das laranjas, louro e dois cravinhos.

Para aproveitar o calor do forno, assei umas batatas para acompanhar. Temperei-as com azeite, alho e um pouco de noz-moscada. Cozi as ervilhas tortas e depois salteei-as num pouco de manteiga e mel de rosmaninho. Servi com uma rodela de laranja.

O peixe ficou óptimo e deixo aqui a minha vénia à Anna pela excelente proposta. A laranja dá um toque perfumado e subtil ao peixe realçando o seu sabor.

Acompanhei com um vinho branco do Reno de 2006. O “La Dive” mostrou ser uma boa descoberta, numa linda garrafa. Uma boa relação qualidade/preço para um vinho branco diferente do que bebo regularmente, mas bem conseguido.

Bom apetite! Experimente e comente!

Bife de atum, canónigos e blé com molho béchamel

O atum em bifes é um dos peixes mais apreciados pelos filhotes. Esquecem-se que estão a comer peixe e, por isso, costumam limpar o prato.

Como ficaram admiradores do blé de que falei no post anterior, decidi-me por uma ligeira alteração e servi com um béchamel um pouco mais espesso que o habitual. Resultou em cheio!

Usei:

-4 bifes de atum, raspa e sumo de lima, gengibre ralado, molho de ostra e vinagre balsâmico;

-uma saqueta de blé, farinha Maizena, leite, manteiga, noz moscada, sal e pimenta;

-canónigos embalados, alcaparras, Manchego ralado e orégãos frescos.

Fiz uma marinada com a raspa e sumo de lima, o gengibre ralado, o molho de ostra e o vinagre balsâmico e coloquei os bifes de atum dentro de um saco de congelação. Juntei a marinada, retirei o excesso de ar e selei. (Vi esta técnica num programa do Jamie Oliver e recomendo. É prática, não sujamos louça, e a carne ou o peixe absorve melhor e mais uniformemente a marinada).

Aguardei 6 horas e depois fritei numa fritadeira anti-aderente bem quente de modo a manter os sucos do atum. Retirei o atum e levei a reduzir um pouco do líquido da marinada.

Cozi o blé em água aromatizada.

Fiz um molho béchamel com a Maizena, leite, manteiga, noz moscada, sal e pimenta. Deixei-o um pouco mais espesso que o habitual.

Servi o atum com um pouco do molho e uma rodela de lima. Num aro coloquei o blé e cobri com o béchamel. Salpiquei com alcaparras, Manchego ralado e orégãos frescos. Juntei uma  salada de canónigos.

Resultou bem. O acidulado do atum contrastou com o cremoso suave do béchamel. Diferentes texturas, diferentes sabores.

Bom apetite. Experimente e comente!

Borrego em pedaços com “Blé” aromatizado e “confit” de pimentos vermelhos

Comprei há algum tempo numa loja da cadeia Elecrerc uma embalagem de Blé.  Como gosto muitos de couscous e de todo o tipo de massas decidi experimentar. Uma maneira diferente de servir cereais, neste caso trigo, aos pequenotes.

Com a apelativa embalagem em casa e sem fazer nenhuma ideia de como a utilizar decidi  ir à procura na internet mas além do site da própria marca onde pude encontrar algumas informações interessantes e algumas receitas, encontrei pouca coisa. Decidi perguntar à amiga Elvira pois sabia que ela conhecia bem a cultura e a gastronomia francesa e poderia ajudar-me. Respondeu-me de pronto e simpaticamente; disse-me que este produto é relativamente recente e que pode ser utilizado como se de arroz se tratasse. Em saladas frias, quentes. À laia de risotto, ou como simples acompanhamento e até em sobremesas.

Decidi-me por o utilizar como acompanhamento de uns “bifes de borrego”. Costumo acompanhar este borrego com couscous e o grão de trigo ou “blé” iria tomar o seu lugar.

Usei:

-perna de borrego em pedaços, 2 saquetas de blé,  hortelã, cardamomo e casca de limão.

– pimento vermelho, azeite,manteiga, salada mista, batata nova pequena.

Temperei a carne com alho, flor de rosmaninho e sal e um pouco de vinagre balsâmico. Deixei a marinar por umas horas. Fritei-a no wok bem quente com um fio de azeite.

Num tacho, coloquei água a ferver que aromatizei com hortelã, 2 vagens de cardamomo, um pouco de casca de limão e sal. Coloquei as saquetas de “blé” a cozer durante dez minutos conforme as instruções da embalagem.

Confitei um pimento vermelho ás tiras finas em bom azeite. Fritei batatas novas que previamente escaldei em água salgada.

Depois do “blé” cozido, retirei das saquetas e juntei um bom pedaço de manteiga.

Servi a carne com as batatas, uma salada mista e, por cima do blé, as deliciosas tiras de pimento vermelho confitado e um pouco do seu azeite.

Fiquei absolutamente convencido e recomendo o blé ou grão de trigo vivamente a todos. Tem uma textura e sabor muito agradável e diferente. Uma mistura de arroz e massa muito versátil e que abre portas a muita experimentação. Além disso é muito saudável e  nutritivo o que é mais uma vantagem.

Acompanhei com um tinto da Quinta do Gradil de 2003 de que falarei no próximo post  e se mostrou perfeito para a harmonização.

Bom apetite. Experimente e comente!

Frango com cerveja preta e canela

Esta receita de frango costumava ser feita pelo meu pai. Ele utilizava frango em pedaços, mas como os netos dele são um bocado esquisitos, eu uso peito de frango. O conjunto fica igualmente saboroso, mas menos gordo.

Fiz outras ligeiras modificações mas o espírito da receita é o mesmo. Um conjunto muito aromático, com vários níveis de sabores e texturas que se complementam muito bem.

Usei:

-4 peitos de frango, uma cerveja preta Sagres, 2 ou 3 paus de canela, caril e gengibre ralado

– cebolas pérola, batatas novas pequenas, azeitonas pretas, tomate pelado, cogumelos.

Numa caçarola larga, disponho em camadas, como na caldeirada, os ingredientes. Começo pelas cebolas pérola( quando há cebolas novas pequenas prefiro-as), depois o peito de frango em pedaços e temperado de gengibre, pimenta e sal.

De seguida o tomate em pedaços, as batatas, as azeitonas pretas que costumo descaroçar quando tenho tempo ou paciência, os paus de canela.

Perfumo com uma colher de café de caril e rego com a cerveja preta. Eu uso Sagres, passe a publicidade. Já experimentei com Guinness mas não resultou tão bem. Por fim junto os cogumelos.

Tapo e deixo cozinhar em lume brando, lentamente para apurar os sabores. Abano a panela de vez em quando e rectifico de sal e pimenta antes de servir.

Fica assim e é delicioso! Bom apetite. Experimente e comente!

Mais uma chinesice!

Depois de alguns “flops” iniciais, devido à falta dos ingredientes adequados, dos utensílios ideais ou da pura e simples falta de habilidade, as minhas chinesices começam a ser bastante apreciadas e reivindicadas pelo pessoal cá de casa, em particular os filhotes.

Com a despensa ainda bem composta de ingredientes asiáticos graças à Pipoka, optei por uns noodles um pouco mais grossos que o habitual mas deliciosos.

Usei:

-couve chinesa, cogumelos chineses, noodles, rebentos de bambu, cenoura, cebola

– perú em tiras, óleo de sésamo, molho de soja e molho de ostra, vinho branco.

Cortei o perú em tiras e pus a marinar uns minutos em molho de soja e vinho branco. Levei a carne ao wok bem quente com óleo de sésamo e deixei cozinhar e reservei.

Coloquei a cebola em meias luas finas, a cenoura em tiras finas.

Juntei a couve cortada em juliana fina e os rebentos de bambu.

Os cogumelos previamente demolhados de acordo com as instruções do pacote.

Juntei os noodles, envolvi muito bem e temperei com um pouco de molho de ostra para realçar e unir os sabores.

Ficou assim e a malta lambeu-se.

Acompanhei com um Chardonnay Reserva de 2006 da Quinta da Alorna que é maravilhoso. Um dos meus vinhos de eleição.

Bom apetite. Experimente e comente!

Sopa de Inverno

No Inverno aproveito para fazer e comer aquelas sopas fortes e retemperadoras. Esta é um concentrado de legumes, fibras e um pouco de “essência de colesterol”.

Tenho dificuldade em fazer comida 100% saudável. Preciso daquele sentimento de transgressão que só um naco de toucinho, um cigarro fumado no Metro, ou um enorme balão de conhaque nos empresta. Preciso de ouvir da comida,  “Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar…”

Usei:

– um pouco de toucinho de porco preto, uma linguiça, algumas fatias de bacon, vinho branco

– alho francês, cebola, alho, cenoura, nabo, pimentos, batata, couve lombarda, concentrado de tomate, massa de pimentão e poejos.

Numa panela cozi parte das batatas, cebola, cenoura, alho francês. Juntei metade de uma lata de feijão manteiga e reduzi a puré com a varinha mágica.

Na outra fiz um refogado rápido com alho francês, alho e cebola e as “carnes”. Juntei os demais ingredientes em cubos para “beberem” dos sucos do refogado e apurarem os sabores. Reguei com um pouco de vinho branco e um pouco de concentrado de tomate em bisnaga. Juntei a couve. Esperei uns minutos e adicionei o puré.

Antes de servir adicionei uma colher de sobremesa bem cheia de massa de pimentão. No prato cobri com poejos picados.

Deliciosa e nutritiva. Uma refeição completa.

Bom apetite. Experimente e comente!