Pérolas do mar das Indías

Há há algum tempo que deparei com um novo produto congelado de uma conhecida marca que dá pelo nome de Pérolas do Mar. Não é mais que tubos de pota sem pele e cortada em rodelas de 1/2 cm de espessura, aproximadamente.

Como cá em casa as lulas e seus parentes são muito apreciados comecei a magicar uma utilização para as ditas.

Com a despensa ainda bem recheada de misturas de caril diversas, especiarias e outras poções mágicas, desde a minha última incursão ao Martim Moniz, estava encontrada a utilização ideal para as ditas pérolas.

Um caril bem aromático, com ananás e manga e um belo dum basmati para acompanhar.

Usei:

– garam masala, côco em barra, gengibre fresco, cardamomo, sumo de limão, alho, óleo de amendoim;

-1 manga, um  quarto de abacaxi, mini-tomates chucha, arroz basmati, coentros e hortelã;

Numa wok, verti um pouco de óleo de amendoim e juntei-lhe as frutas cortadas em pequenos cubos e um dente de alho laminado. O gengibre fresco ralado e duas vagens de cardamomo.

Aguardei um pouco e adicionei as pérolas, os tomates inteiros e miolo de camarão. Deixei cozinhar e perfumei com a mistura de especiarias. Em vez do leite de côco, utilizei em barra, é mais versátil e permite desperdiçar menos.

Deixei apurar e antes de servir refresquei com um pouco de sumo de limão.Cozi arroz basmati da maneira habitual e servi a acompanhar o caril.

Harmonizei com um vinho espumante do Ribatejo, o Vale de Lobos, Espumante Branco Bruto da Sociedade Agrícola Quinta da Ribeirinha. O companheiro ideal para realçar o bouquet de aromas do prato.

Bom apetite. Experimentem e comentem!

Dedico este post a alguém que faz hoje 13 anos mudou a minha vida para sempre. Há 13 anos numa Terça-feira de Carnaval ás 2.30 da manhã, nascia o Luis Diogo. O momento em que o tive nos braços pela primeira vez revelou-me o que era o amor, pleno, magnífico e incondicional.

Parabéns, filhote!

Espargos bravos com ovos brancos de galinha preta

Este prato é um daqueles que junto das memórias gustativas e olfactivas, me traz de volta manhãs gostosas, com o meu pai e a minha família de Coruche a apanhar espargos bravos.

Para os mais novos era uma festa. O cheiro do campo. O sol de Inverno. A competição saudável para ver quem apanhava mais. O regresso a casa, sujos, cansados e famintos.

Não consigo deixar de sentir uma certa nostalgia, quando nesta altura, surgem, pelas estradas fora ou nos mercados, espargos à venda. E não lhes resisto!

Estes comprei-os à Dona Vitória no Mercado de Santarém. Uma velhota seca e tisnada, alquimista das ervas, dos chás e do que a terra lhe dá. Esconde nos sacos avulsos, as ervas mais tenras e perfumadas. As pontas dos espargos que lhe ficam no bolso do avental negro e coçado e oferece aos clientes que lhe entram no coração, como se fosse um tesouro.

Os ovos caseiros, “brancos de galinha preta”, os melhores.

Arranjo os espargos. Como estes são finos e tenros, lavo-os bem e aproveito aproximadamente 1/3 do seu comprimento. Levo a uma fervura rápida com água e sal. Retiro da água e reservo 1 chávena da água da cozedura.

Numa frigideira alouro em azeite e banha, 2 dentes de alho e junto os espargos.

Corto e retiro a côdea a uma fatia grossa de pão caseiro que esfarelo grosseiramente e embebo num pouco de leite. Adiciono esta mistura aos espargos e junto, um pouco da água da cozedura para intensificar o sabor e controlar a textura.

Junto os ovos batidos e rectifico os temperos de sal e pimenta.

Empratei com a ajuda de um aro e decorei com umas pontinhas de espargos que guardei. Acompanhei com lombo fumado de Ponte de Lima (que saudades!) e tomate chucha pequeno.

Harmonizei com um vinho branco novo, de 2007 da Quinta da Alorna. O Arintho, 100% da casta arinto, cheio de fruta na boca, refrescante, vigoroso! Delicioso. Um grande vinho!

Bom apetite. Experimentem e comentem!

Rolo de bacalhau

Inspirado por uma receita que vi no velhinho “O Mestre Cozinheiro” fica aqui mais uma sugestão de bacalhau. É uma boa opção para servir quente, num buffet ou numa festa de aniversário ou como prato principal.

Cozo badanas e rabos de bacalhau da maneira habitual. Deixo esfriar, desfio e num pano esmago como se fosse para fazer pastéis de bacalhau. Cozo batatas e ovos.

Numa frigideira larga faço um refogado em azeite com cebola, alho e louro. Junto duas cenouras raladas e refresco com um pouco de bom vinho branco.

Esmago as batatas cozidas grosseiramente com um esmagador e misturo com o refogado. Rectifico os temperos de sal e pimenta moída.

Na bancada de trabalho estendo papel de alumínio para me ajudar a fazer o rolo.

Coloco a mistura em forma de rectângulo e abro uma saliência no meio para colocar os ovos cozidos. Usei ovos de galinha mas para a próxima, utilizarei de codorniz. Penso que ficará melhor e pode fazer-se, desse modo um rolo mais fino. Juntei também coentros e com ajuda do alúminio fiz um rolo polvilhado com uma mistura de pão ralado, sêmola de milho e gengibre em pó. 

 Untei um Pyrex de ir ao forno com um pouco de margarina e salpiquei o rolo com um fio de azeite para não secar demasiado. Deixei tostar ligeiramente.

À parte fiz um molho branco ao qual juntei natas e noz moscada, e que serviria para regar a fatia do rolo de bacalhau.

Acompanhei com pimento de piquillo, salada de alface e azeitonas pretas.

Harmonizei com um vinho tinto do Chile. O PKNT (picante!?) que além de ter um rótulo e um nome bastante sugestivo é uma excelente opção. Este é das castas Carmenere e Shiraz mas também já bebi e falei dele aqui, o Cabernet Sauvignon é igualmente delicioso.

Bom apetite. Experimente e comente!

Almôndegas de perú crocantes e cenouras vidradas

Esta é a segunda receita de almôndegas que aqui coloco. Como é um prato muito apreciado pela pequenada, costumo fazer com alguma frequência, e por isso, tento inovar e variar .

Desta vez umas almôndegas de perú. Um quilo de bife de perú que pedi para picar finamente  no talho.

À carne juntei cenoura bem ralada, 1 chalota picada finamente, gengibre fresco ralado, alho em pó. Um ovo inteiro, sal e pimenta moída. Uma boa colher de caril indiano, daquele não muito picante.Misturei e envolvi.

Para fugir ao pão ralado, utilizei sêmola de milho para envolver as bolas de carne.

Estas mãos doces e queridas, trataram de fazer as bolinhas e de as passar pela sêmola.Tentámos fazer as almôndegas não muito grandes, para cozerem melhor e ficarem mais bonitas!

Fritei em azeite, numa frigideira larga, rolando as almôndegas constantemente, para que cozessem e a sêmola que as envolvia ficasse uniformemente crocante.

Cozi umas cenouras baby e levei-as a saltear, rapidamente, numa colher de mel, rosmaninho em flor e manteiga.

Servi com batata frita às rodelas e uma salada de alface. Fiz uma maionese de limão para acompanhar.

Bebi, um Tinto Ribatejano de 2006. o Casaleiro Reserva de 2006 Syrah. Um monocasta que já teve melhores anos, mas que não é má aposta, para quem como eu é fã da casta. Todavia, acho que devia haver mais cuidado na atribuição da designação “Reserva” a alguns vinhos.

As almôndegas ficaram muito boas e mando aqui um beijinho à minha ajudante de cozinha preferida, a minha filhota querida, Margarida!

Lombinhos de porco preto, nabos glaceados e bróculos

O lombinho de porco preto é garantia de sabor e suculência. É versátil e presta-se a imensas combinações. Este é um dos modos que utilizo para os confeccionar.

Os nabos são dos legumes preferidos da minha filhota Margarida e quando vi este molho de nabos bébé, como ela os chamou, lembrei-me logo de uma receita que vi aqui no indispensável blog da Elvira.

Os magníficos bróculos foram uma oferta de última hora do meu vizinho do lado. Marinheiro reformado e agricultor apaixonado, ao qual deixo aqui o meu agradecimento.

Cortei os lombos em medalhões e fiz uma marinada com vinagre balsâmico, um pouco de mel, azeite, alho, louro e alecrim. Aguardei umas horas. Antes de fritar em frigideira anti-aderente bem quente, temperei de sal e pimenta.

Cozinhei os nabos conforme a Elvira recomendou no seu blog e posso garantir que ficaram uma delícia. Uma maneira deliciosa e saudável de fugir ás vulgares batatas. A repetir sem dúvida.

Cozi os bróculos ao vapor e servi com o lombinho e os nabos.

Acompanhei com um tinto ribatejano da Casa Cadaval, o Padre Pedro Reserva de 2004. Premiado recentemente pelo The New York Times como o melhor vinho abaixo dos 10 dólares é um vinho que conheço bem e é uma boa aposta na relação qualidade/preço. Espero que como outros não se deixem inebriar pelos prémios e inflacionem o  valor do vinho.

Bom apetite! Experimente e comente!