Peito de frango com sementes de sésamo, framboesa e batatinhas ao vapor

Comprei uns maravilhosos cestinhos chineses de cozer a vapor e uma catrefa de especiarias, massas, molhos, chás, etc na minha  última ida à capital. Tenho matéria-prima para uns meses!!

O peito de frango é das carnes preferidas cá em casa e eu tento, na medida do possível, inovar. Aqui fica a última experiência.

Temperei os peitos de frango de sal, pimenta rosa moída e  gengibre ralado. Reguei com vinagre de framboesa e deixei a marinar por umas horas.

Levei a carne a selar em azeite bem quente, virando para fritar uniformemente. Retirei a carne e reduzi o vinagre na  mesma frigideira. Envolvi em sementes de sésamo e levei ao forno com o molho.

Entretanto cozi umas batatas primor com casca, em vapor. Coloquei no cesto de baixo folhas de caril e hortelã e na água fervente um dente de alho.

Servi o peito de frango fatiado, com as batatas e uma boa salada de alface. Resultou muito bem o contraste do gengibre e da framboesa no frango. O crocante do sésamo. O aroma das ervas impregnado nas batatas.

Acompanhei com um vinho branco Fiuza Sauvignon de 2007. Frutado, fresco, aromático.

Bom apetite! Experimente e comente!

Lasanha de bacalhau “sem stress”

Há uma nova revista de culinária no mercado. A “Cozinhar sem Stress”.

Boas fotos, receitas agradáveis, dicas variadas, um formato de bolso e um preço simpático. O nome não me parece particularmente feliz. É que para mim cozinhar é precisamente o melhor antídoto para o stress.

Isto para dizer que me inspirei numa receita de lasanha de camarão com legumes que vinha na revista, só que usei umas deliciosas postas de bacalhau em vez do camarão.

Num tacho grande coloquei leite frio e juntei as postas de bacalhau. Acendi o lume e quando o o leite levantou fervura, tapei o tacho e envolvi com um pano grosso para acabar de cozer o bacalhau.Deste modo o bacalhau fica suculento e a carne solta-se em lascas.

Reservei o leite para mais tarde fazer o molho béchamel.

Parti duas courgettes em rodelas e fritei em azeite.

Fritei também, ligeiramente, tomate em rodelas.

Fiz uma cebolada ligeira com alguns alhos laminados e juntei-lhe as lascas de bacalhau.

Fiz o molho béchamel com o leite de cozer o bacalhau, farinha Maizena, uma noz de manteiga, noz-moscada, sal e pimenta.

Usei placas de lasanha fresca. Cobri o fundo do tabuleiro com um pouco de molho e fui colocando alternadamente com as placas de lasanha a cebolada de bacalhau, o tomate, a courgette e de novo o restante bacalhau. Reguei com o restante molho e cobri com queijo ralado.

Levei ao forno aproximadamente 25 minutos conforme as instruções da embalagem de lasanha.

Retirei e servi com uma salada de agrião.

Harmonizei com um vinho tinto alentejano, o Comenda Grande de 2005 que me surpreendeu bastante. Gostei muito e recomendo.

Bom apetite! Experimente e comente!

Peixe-galo com favas novas suadas e chips de batata doce

Há já algum tempo que queria experimentar o peixe-galo. A começar pelo nome ( se fosse vaca-galo era pior 🙂 ) este peixe despertou-me a curiosidade.

Como não o consegui encontrar fresco comprei um congelado que a senhora da peixaria me cortou em postas. Numa das voltas habituais pelo mercado encontrei umas favas novas e umas cebolas novas. Combinação clássica e perfeita, peixe frito com favas.

Fiquei agradavelmente surpreendido com o peixe-galo. A carne é saborosa, firme e suculenta e penso que se presta a muitas utilizações além desta.

Fiz assim:

Descongelei as postas de peixe e temperei-as de sal, pimenta e bastante sumo de limão. Deixei a marinar por umas horas.

Descasquei as favas com a preciosa e empenhada ajuda da minha filhota Margarida. Num tacho deitei duas cebolas novas cortadas em meias luas, um dente de alho laminado e azeite. Juntei as favas e cobri generosamente com coentros, hortelã e a rama da cebola picada grosseiramente. Deixei suar em lume brando, sacudindo de vez em quando o tacho.

Tinha visto algures numa revista ou livro de que não me recordo agora uns chips de batata doce que me ficaram na retina. Decidi experimentar.

Foram um sucesso e houve alguma dificuldade em fazê-las chegar à mesa com os pequenos e os graúdos a rondarem a travessa.

Descasquei-as e parti-as em rodelas finas com a ajuda de uma mandoline. Sequei-as bem antes de fritar. Ficam óptimas. Super estaladiças e com um sabor supreendente.

Envolvi o peixe-galo numa mistura de farinha de milho e algum gengibre em pó. Fritei-o em óleo de milho.

Servi com uma rodela de limão e uma salada de agrião. Resultou muito bem a conjugação de texturas e sabores. Fiquei fã do peixe-galo e dos chips de batata doce que já repeti para acompanhar outros pratos.

Harmonizei com este vinho branco maravilhoso de que já falei  anteriormente e que me tem maravilhado. Recomendo vivamente embora saiba que vai ser difícil encontrá-lo à venda pois a produção foi quase toda para exportação. Uma pena.

Bom apetite! Experimentem e comentem!

Boa Páscoa a todos!

No tempo dos nossos avós …

…era assim.

Algumas fotos do Mercado Tradicional integrado nas festas de São José em Santarem.

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E este “palhinhas” maravilhoso!!??

Aqueles cujo nome não podemos pronunciar…

Se há “palavras que nos beijam” como dizia Alexandre O’Neill; há pratos e sabores, aromas e cores, que nos abraçam e confortam a alma. Este petisco é um desses casos.

O dia do pai, desperta-me sentimentos ambíguos e contraditórios. Porque sou pai, mas também sou filho.

Em Santarém, por ser feriado municipal, o dia de São José ou dia do pai, sempre foi vivido de modo diferente. É dia de festa e romaria. Por ser feriado o pai estava em casa, e eu e a minha irmã, acordavamos mais cedo para, orgulhosos e sorridentes, ofertar e acarinhar o nosso pai, como os meus filhos ontem fizeram.

Este prato só me lembro de o comer com o meu pai. Entrávamos na Tasca do Quinzena, um dos ex-libris de Santarém. Ele, vaidoso, com uma festa firme na nuca encaminhava-me para aquele mundo de homens. De vozes e cores. De aromas. De sabores, muitos sabores. Eu, vaidoso, absorvia aquele mundo como uma esponja.

Haviam pratos e condimentos que constituíam uma espécie de ritual de iniciação, de passagem. Este era um deles: túbaros de porco fritos.

Esta é a minha versão. Túbaros de porco de fricassé com pimenta rosa.

Fiz assim.

Cortei os túbaros em fatias grossas e temperei de sal e pimenta. Levei a fritar em azeite. Retirei da frigideira e levei a escorrer num passador de rede durante ap. uma hora. Depois cortei em cubos e temperei com bastante sumo de limão e alhos laminados.

Deixei a marinar durante umas horas e voltei a  levar a fritar em azeite bem quente. Rectifiquei os temperos, retirei a carne e juntei mais um pouco de sumo de limão e uma gema de ovo para o fricassé.

Servi com salsa e pimenta rosa moída.

Atreva-se!

Experimente e comente! Bom apetite!

Festas de São José em Santarém

Infelizmente o tempo para cozinhar tem sido muito escasso devido a afazeres profissionais.

No entanto não queria deixar de convidar os amigos visitantes a virem a Santarém às Festas de São José, entre dia 14 e 19 de Março.

De 14 a 19 de Março, Santarém volta a relembrar os grandes momentos da festa Ribatejana com mais uma edição das Festas de S. José, que vão decorrer no antigo Campo da Feira. Durante seis dias não vão faltar as tradicionais largadas de toiros e uma Corrida à Portuguesa, um mercado tradicional, espectáculos de fado e de música popular, danças de salão e um baile à moda antiga com acordeão, entre muitas outras actividades. Do programa, destaque para uma procissão em honra de S. José, Santo Patrono dos Artífices, uma missa da Cidade com bênção aos Romeiros de S. José(Dia 19 de Março -Feriado Municipal), concertos com os Clã, The Lucky Duckies e Quim Barreiros, espectáculo a Lenda de Paloma Brava com a companhia de dança Mais Flamenco Ballet,fados, baile à moda antiga e folclore.”

De entre o vasto programa saliento a actuação dos Clã no Sábado dia 15 às 22.00, e especialmente, da nossa amiga Marizé do Tachos de Ensaio e a sua  Orquestra Típica Scalabitana, às 20.30. Um espectáculo de cor, som e alegria que recomendo a todos.

Consultem aqui o programa das festas.

Medalhões de pescada com laranja e compota de maracujá e risotto de ervilhas

Há já alguns dias que não me saía da cabeça um prato de peixe com laranja que vi aqui no Chucrute com Salsicha. O blog da Fer é um dos meus preferidos. Tem receitas maravilhosas, tem crónica de costumes e tem, na minha opinião, as melhores fotografias de comida que já vi. É, portanto, uma inspiração.

Utilizo muito os medalhões pois é uma maneira prática e versátil de dar peixe ao pessoal mais pequeno sem eles reclamarem das peles e das espinhas.

Partindo da receita da Fer, decidi fazer umas ligeiras alterações e ficou muito bom.

Usei:

– 4 medalhões de pescada, 2 laranjas de casca não vidrada, gengibre fresco, manteiga;

– 4 maracujás, açúcar, um cálice de vinho Moscatel;

– arroz carnaroli, ervilhas, lombo fumado de Ponte de Lima e queijo Parmigiano.

Coloquei os medalhões num Pyrex de ir ao forno. Temperei-os  com sal, raspa de laranja e gengibre fresco ralado. Reguei com o sumo das laranjas e deixei a marinar aproximadamente uma hora. Coloquei uma noz de manteiga por cima de cada um e levei  ao forno envolto em papel de alumínio. Aguardei 20 minutos, retirei a folha de alumínio e deixei mais 10 minutos no forno.

A ideia inicial de acompanhamento era um puré de  ervilhas que também tinha visto no Chucrute e, por isso, cozi ervilhas em água salgada com um dente de alho. Todavia, pensei que a rapaziada de casa podia torcer o nariz à coisa e optei por um risotto. Tenho de controlar as inovações!

Enquanto cozinhava bebia um Moscatel (delicioso, não é, Eduardo?) e o aroma a laranja e maracujá do vinho deu-me uma ideia. Iria tentar recriar esses aromas e sabores no prato. Por sorte tinha maracujá destinado a um doce na fruteira. Uma compota rápida. Retirei a polpa aos frutos, juntei açúcar a olho e um cálice de vinho Moscatel. Levei ao lume brando e deixei incorporar até ficar com a textura de uma compota.

Fiz o arroz aproveitando a água da cozedura das ervilhas que ia juntando aos poucos como mandam as regras. Juntei parte das ervilhas, pedaços de lombo fumado e no final queijo Parmigiano ralado na altura.

Servi os medalhões com a compota de maracujá por cima e o risotto. Resultou em cheio. O acidulado doce da laranja e maracujá. A explosão de aroma e o contraste de textura das sementes do maracujá!

Para harmonizar, mais um grande vinho novo. Nesta altura em que começam a ficar disponíveis no mercado os vinhos brancos e rosés de 2007, corro os produtores aqui da zona para provar pois adoro o frutado e o floral destes vinhos.

Desta vez o Touriga Nacional 2007 Rosé da Quinta da Alorna. Aroma floral vincado, final longo, suave e refrescante. Excelente!

Bom apetite! Experimentem e comentem!