Frango com quiabos, cerveja e caril


Confesso que até há uns tempos atrás o quiabo era para mim um ingrediente remoto e misterioso.

Não tendo familiares com raízes ou passagem por África, antes da massificação das grandes superfícies comerciais, o meu contacto com os quiabos limitava-se às montras de algumas mercearias da baixa lisboeta nos meus tempos de estudante.

Depois de provar fiquei rendido, e tenho verificado que os nossos irmãos de língua portuguesa, deste e do outro lado do Atlântico, são verdadeiros mestres na utilização do quiabo.

Inspirado por alguns blogs e em particular por um delicioso frango com quiabos e polenta da amiga Ana decidi experimentar.

Lavei os quiabos e coloquei em água com sumo de limão durante uma hora. Este processo retira a viscosidade natural do quiabo, ficando mais rijinhos e suculentos.

Parti os quiabos ao meio e dei-lhes uma ligeira fritura em óleo de amendoim.

Retirei os quiabos e com o lume forte levei os pedaços de frango, aos quais retirei grande parte da pele, a dourar de todos os lados. Juntei cebola, alho e louro. Reguei com cerveja e juntei um pouco de preparado de sopa de cebola. Perfumei com uma mistura de caril.

Deixei cozinhar em lume brando e perto do final juntei os quiabos que tinha reservado.

Ficou muito bom, com um molho rico e untuoso, mas sem a viscosidade exagerada que se encontra por vezes.

Servi assim,

com um aromático arroz basmati.

Como éramos dois, harmonizei com estas duas maravilhas.

Aqui podem ler uma nota de prova do tinto. Embora a nota seja relativa à colheita de 2003, penso que se mantém adequada ao 2004. Uma agradável surpresa embora um pouco caro na minha opinião.

Do branco falarei numa próxima oportunidade.

Rematei com uns morangos ribatejanos.

Bom apetite. Experimente e comente!

P.S: Quero agradecer à Anna e à Ana o prémio com que agraciaram este canto. É inspirador e reconfortante saber que a nossa partilha chega a outras pessoas como nós. Um beijo para elas.

14 Respostas

  1. Aí que isto parece-me tão bem… Está com um aspecto fabuloso e fiquei verdadeiramente tentada a provar… Nunca comi quiabos mas eles têm chamado por mim cada vez que vou às compras🙂

    Bjs

  2. Por acaso gosto muito da ligação do frango com os quiabos; o molho parece consistentemente bom. Quanto aos vinhos, o Quinta da Alorna é bastante interessante; já o Herdade do Portocarro é um vinho que tive oprtunidade de provar na Essência do Vinho, juntamente com o Cavalo Maluco e o Anima L4 e na companhia do Sr. Mota Capitão (o produtor). Os vinhos dele parecem-me bastante consensuais, com boas aptidões gastronómicas. Quanto aos preços, também acho um bocadinho upa, upa. E para acabar o testamento, finalmente provei o Quinta do Gradil 2003 (tive a sorte de o conseguir arranjar a € 5,99…)

  3. Que saudades!
    Que bom que estás de volta e muito inspirado, pois este prato com um toque de caril está deveras tentador.
    Bj

  4. Muito bom ! Mas ainda prefiro o Basmati aos quiabos ! E os vinhos tem um jeito meio chicobuarqueano !!

  5. Tenho uns quiabos no frigorífico e não sabia bem o que fazer com eles… Agora já sei! Obrigada.🙂

    Abraço.

  6. Já tenho visto quiabos nos supermercados mas nunca me arrisquei a comprar pois não sabia como os cozinhar. Esta receita parece-me uma excelente oportunidade. Obrigada pela dica. Beijinhos

  7. Parabéns pelo seu blog!
    Vim retribuir a visita🙂

    Nunca experimentei quiabos… mas agora fiquei tentada🙂

  8. Eheheh… Com que então, a comer quiabos!!! É bom, não é? Eu também só experimentei por aqui, na moamba. E gostei. Não passei a usar nas minhas receitas porque há por aqui alguém que preferia os vinhos do que o prato! Esquisito “no comer”, não “no beber”! :o)
    Excelente aspecto, Scalabis!

    Beijos

  9. Para mim os quiabos são ainda um mistério desconhecido… nunca provei e se já os vi, devo ter pensado que eram assim uma espécie de malaguetas verdes…
    Qualquer dia arrisco, afinal eu já confessei que este seu blog é um dos meus desassossegos – lol!
    Beijos.

  10. O meu marido resolveu plantar quiabos no quintal. Agora ques estão prontos a ser colhidos não sabia o que fazer com eles.
    Então não é que resolvi vir ao gogle e descubro estas maravilhosas receitas.
    Obrigada ainda pelas dicas, ás vezes fazem a diferença numa receita.

    Boas descobertas e partilha sempre com a malta!

  11. QUIIAAABOS!!! Nham! Nham! Não imaginam as saudades que eu já tive deles. Felizmente já se encontram quase a cada esquina mas… É que nasci em Moçambique e, quando vim para Portugal em 1977 não se encontravam. Quiabos e outros tantos ingredientes d’além-mar. No tempo dos quiabos, na minha terra fazem-se guisados, sem mais nada misturado, para acompanhar a galinha cafreal, o peixe ou o camarão na brasa, etc., etc..
    Quando tiver um tempinho ponho aqui algumas das nossas especialidades: económicas, diferentes e… de comer e chorar por mais (modéstia à parte).

  12. GOSTARIA DE SABER EM RELAÇÃO AO FRANGO COM QUIABO.
    QUANDO DIZ NA RECEITA QUE DEIXOU O QUIABO NA AGUA COM LIMÃO POR UMA HORA .
    FOI JA CORTADO OU INTEIRO???

    ATENCIOSAMENTE
    MONICA SANTOS

    • Cara Mónica, eu costumo cortar os quiabos na diagonal ou na vertical. Desse modo perdem melhor a viscosidade excessiva, que é o que se pretende ao colocar em água com limão!

      Obrigado pela visita. Volte sempre!

  13. Caro amigo
    Sou um amante de quiabos e desta vez exprementei plantá-los na minha horta,mase qual o meu espanto o tipo de quiabo que nasceu é redondo nada parecido com o quiabo angolano.
    Como fiquei com dúvida agradecia informação se tem conhecimento desta variedade.
    Muito obrigado

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