Dia Mundial do Livro – O Livro de Cozinha

Assinala-se hoje dia 23 de Abril o Dia Mundial do Livro. Instítuido em 1996 pela UNESCO, coincide com o dia da morte de dois dos maiores escritores da história da humanidade, Cervantes e Shakespeare.

Apesar das mortes anunciadas o livro continua a fazer parte da vida de milhões de pessoas, constituindo um veículo primordial de transmissão de conhecimentos e experiências entre gentes e gerações.

Sempre fez e sempre fará, parte fundamental da minha. Não há maior conforto que folhear devagar um velho livro. Daqueles que cheiram a livro, sublinhados. Aqueles que sabemos de cor. Que foram nosso ombro amigo, nosso confidente.

De entre os livros da minha vida há, como não podia deixar de ser, alguns livros de cozinha. E acredito que a quem me lê se passe o mesmo.

Lembrei-me então de, aproveitando este dia, pedir a vossa colaboração para fazer aqui uma espécie de “Top dos Livros de Cozinha” ou ” Os livros de cozinha das nossas vidas”. A ideia será criar uma página onde for colocando os meus e os vossos livros de eleição. Novidades, raridades,antiguidades, não importa.

Uma foto (se for possível), uma pequena descrição, o autor, o título, uma receita escolhida, e um comentário pessoal sobre o livro.

Fico a aguardar ansioso, as vossas contribuições através do mail do blog: xantarin@gmail.com

Beijos e abraços!

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Tempura de camarão à “Lisboa a arder”

Se há coisa que gosto na vida é de receber amigos e familiares para uns momentos de convívio em redor da mesa.

Os dias de clássicos futebolísticos são, normalmente, passados em minha casa. Tenho um problema congénito de masoquismo e por isso sou do Sporting. O meu saudoso pai bem me avisou!

Os meus cunhados fazem parte dos 6 milhões, mas como eu até sou civilizado e cozinho melhor que eles, fazem do meu sofá bancada central.

Em vez das sandes de torresmos dos estádios, comemos desta vez uma Tempura de camarão. E como, mais uma vez, perderam os dois grandes de Lisboa, decidi baptizá-la de “Lisboa a arder”.

Retirei a cabeça e a casca aos camarões. Temperei-os de sal, gengibre fresco ralado, sumo de limão e piri-piri. Deixei-os a marinar aproximadamente duas horas.

Fiz um polme com uma gema de ovo, 250 g de farinha de trigo, uma mini (200 ml) de cerveja gelada e umas gotas de sumo de limão. Mexi com um batedor de varas para incorporar e deixei repousar 10  a 15 minutos.

Para se conseguir uma textura bem crocante após a fritura, é fundamental que o polme esteja bem gelado, em contraste com o óleo quente. Para isso, e além de utilizar a cerveja ou água bem gelada, costumo colocar no recipiente onde coloco o polme uma placa térmica daquelas que utilizamos para as geleiras de campismo. Deste modo o polme mantém-se sempre bem fresco, mesmo quando a quantidade de camarão é elevada.

Sirva com os molhos que tiver em casa. Desta vez usei um molho de ameixa doce, molho de ostra e molho de peixe.

Acompanhamos com cerveja. Muita. Erdinger, Sagres Bohemia, Super Bock!

Bebemos para comemorar, ou para esquecer! Conforme o resultado.

Mas convivemos sempre.

5 ameixas em 25 minutos

Será que não se podia repetir, como uma receita!! Coisa linda!

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

 Porque, como vocês, não passo o dia a pensar em comida.

Porque há milhões de pessoas famintas, aqui fica a minha pequena contribuição. É pouco, mas se muitos fizermos um pouco…!

Saiba mais aqui .

Como é que eu vou dar soja aos filhotes e à Maria sem ser maltratado?

Penne com Fibras

Há uns tempos seguia eu num corredor duma grande superfície quando fui abordado por uma simpática promotora que pretendia dar-me a conhecer um novo produto, soja natural congelada.

Conhecedor das propriedades benéficas da soja, embora não embarque em fundamentalismos do tipo leite de, iogurte de, bife de, e pudim de soja, acedi à simpática senhora e lá provei a bendita soja. Nada de especial confesso. Cozida simples é como comer uma mão cheia de nada.É uma ervilha com formato de feijão e com a textura da fava sem a pele.

Pensei, todavia, que aquela aparente falta de sabor, era o ideal para utilizar numa invenção qualquer. É como uma tela em branco.

Pensei estufar ou guisar, para absorver melhor o sabor dos acompanhamentos. Em saladas, porque não?

Fez-se luz, finalmente! Linguiça de porco preto comprada no mercado quinzenal, 1 lata de salsicha. Penne rigate, 1 lata pequena de feijão encarnado. Ervas? Queijo?

A gordura nobre e doce da linguiça a insinuar-se na soja, a perfumar o feijão, a olear a massa? Claro que sim!

Peguei na wok, esmaguei dois dentes de alho. Juntei a linguiça cortada e puxei por ela em lume forte para libertar a gordura. Refresquei com moscatel para não deixar queimar e para reunir os aromas. Juntei as salsichas em pedaços e 1/3 da embalagem de soja. Salteei a mistura e reservei.

À parte cozi a massa em água fervente com casca de limão, uma pitada de açafrão, um fio de azeite e sal. Quando ficou “al dente”, juntei a massa e a lata de feijão ao preparado. Envolvi. Rematei com pimenta em grão e refresquei com salsa e hortelã picados.

No prato servi com umas lâminas de queijo manchego por cima.

Eles comeram e gostaram! Não sem antes dizerem: -O que é isto? Não gosto disto!

Acompanhei com um Chardonnay da Quinta da Alorna de 2006. Soberbo!

Ficou óptimo. Experimente e comente!

A Festa da Adiafa

Hoje o meu bom amigo Pedro Melro, emérito e orgulhoso produtor de vinho de Alcanhões, convidou-me para a Adiafa. Para quem não sabe, a Adiafa significa a festa que se oferece aos trabalhadores no último dia das vindimas. De acordo com o dicionário a palavra vem do árabe addyafa e significa banquete.

Embora esteja um pouco desvirtuada, esta tradição fez parte do meu crescimento e habituei-me a ouvir falar dela e algumas vezes a, orgulhosamente, participar. Digo orgulhosamente, porque nessas alturas fazia também parte do rancho da vindima, quase sempre por amizade e camaradagem.

Recordo com saudade, o convívio com aquelas gentes simples, o cheiro da terra e das uvas, o suor nos rostos, as cantigas e os cestos pesados que me faziam sentir um homem naquele reino de Homens e Mulheres.

Hoje senti-me quase um intruso, como se não merecesse comer e beber como os outros! O pão caseiro não me soube tão bem. A lebre deliciosa e a sopa de pedra. Os tomates apanhados da terra, o vinho maravilhoso. As azeitonas. O vinho. O vinho!

Para o ano duas resoluções ficaram. Vou primeiro á vindima e não repito a estupidez de não levar a máquina fotográfica!